Maio 30, 2009

Família Nóbrega: Trompetes Shows


A Fundação Casa Grande recebe o grupo musical Família Nóbrega: Trompetes Shows – formado por compositores, produtores e arranjadores, que já vem há mais de quatro anos se destacando no cenário musical paraibano.

          Para encerrar a programação cultural do mês de maio nesse sábado, dia 30, o Teatro Violeta Arraes em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste recebe o grupo musical Família Nóbrega: Trompetes Shows. Vindo da Paraíba para se apresentar em Nova Olinda, o grupo tem como objetivo resgatar a originalidade do trompete nos mais diversos aspectos e gêneros musicais, bebendo na fonte de consagrados músicos da MPB como Pixinguinha, recebendo também a influencia de grandes solistas internacionais como o trompetista Arturo Sandoval.
          Formada por compositores, arranjadores e também produtores, a família Nóbrega mostra com sua musica a versatilidade do trompete através de composições que vão do jazz ao frevo.
O que está esperando para adquirir o seu ingresso?
Venha e participe do nosso projeto de Formação de Platéia. Você é o nosso convidado!

Show com Família Nóbrega: Trompetes Shows
Dia 30 de maio, sábado 
Horário: 19h
Local: Teatro Violeta Arraes – Engenho de Artes Cênicas.

Maio 17, 2009

Entrevista com o produtor musical pernambucano Paulo André

 

 

Entre os convidados para a mostra está Paulo André, criador do festival Abril Pro Rock, que falou da crise que o mercado fonográfico vive atualmente, sobre a melhor forma de divulgar o trabalho de um artista e de sua satisfação em estar visitando a Fundação Casa Grande.

  Qual sua profissão?

Sou produtor musical, também faço curadoria para projetos musicais, gerencio a carreira de dois artistas, o DJ Dolores e o Mundo Livre S/A que é uma banda. Faço parte da ABRAFIM – Associação Brasileira dos Festivais Independentes. E tenho uma produtora com duas sócias a qual realizamos o Festival Abril Pro Rock, que agora em abril a gente fez a décima sétima edição, realizamos também o Porto Musical que é uma conferencia internacional de musica e tecnologia que vai acontecer agora em junho a quarta edição.

 Como foi o inicio da sua carreira como produtor musical?

Olha nada na vida é fácil, e eu escolhi um tipo de música que não é popular no Brasil muito menos no nordeste. Eu me especializei, em artistas jovens, em processo de formação de público, buscando mercado, não só o regional, nacional mas o internacional. E eu comecei basicamente fazendo sem ter cursado nenhum tipo de curso, nem havia ninguém na minha família que trabalhasse com esse tipo de coisa, então eu costumo dizer que aprendi da melhor forma, que é aprender fazendo. Claro que não é fácil. É um caminho muito mais difícil, porque você acaba em alguns momentos errando, mas errando para acertar, mas depois de tudo isso, posso dizer que valeu muito a pena.

 O que a banda Nação Zumbi representa para você?

 Na verdade quando eu comecei a trabalhar com eles era Chico Sciene e Nação Zumbi. Fui produtor da banda na produção dos dois CDs: Afrociberdelia e Da lama ao caos. Quando o Chico era vivo a gente trabalhava junto. Então eu acho que Chico Sciene e Nação Zumbi pelo menos na música brasileira representam algo muito significativo de um movimento que surgiu no Nordeste, havia na verdade uma movimentação de bandas e o que acontece é que desde os anos 70 quando aquela geração dos pernambucanos como Geraldo Azevedo, Lula Cortes, Alceu Valença se consagraram, a gente ficou quase duas décadas sem ter um referencial de um artista do Recife, de Pernambuco se projetando nacionalmente. No Caso de Chico Sciene e Nação Zumbi, essa projeção foi internacional, o primeiro CD da banda foi lançado no Japão, na Europa e nos Estados Unidos, então eu tenho muito orgulho de ter feito parte desta história e o Chico Faleceu muito precocemente com apenas 30 anos de idade, com dois discos gravados, mas entre o lançamento de “Da lama ao caos” em abril de 94 e a morte dele em fevereiro de 97 são menos de três anos, nós conseguimos fazer duas turnês européias, uma ida para a França para um festival. Então foram três idas a Europa e duas aos Estados Unidos, na mesma ocasião das idas a Europa. Fizemos ao todo oito países. E quando você dá uma olhada na trajetória da Banda, no caso ainda Chico Sciene e Nação Zumbi, não sei, parecia que de alguma forma a gente, claro que isso não aconteceu, parecia que sabíamos que não ia durar muito tempo e estávamos tão a fim fazer as coisas que conseguimos fazer tanto. A Nação Zumbi segue na minha opinião, independentemente da amizade e da aproximação que tenho com eles, com uma das melhores bandas do país. Voltamos a trabalhar junto em 2005 e 2006, os representei para o mercado internacional, mas aí eu senti que o mercado internacional não estava sendo neste momento uma prioridade e a gente continua amigo e eu admiro muito o trabalho deles.

 Como fazer para criar um selo independente?

 Olha, eu acho que hoje com este declínio das vendas de CDs, o caminho já não é mais um selo. Agora o artista pode se lançar de uma forma independente é importante que ele consiga uma distribuição para o CD, para não ficar vendendo de mão e mão. Vejo a internet hoje como a maior facilitadora, propagadora e divulgadora, nesses temos de crises no mercado fonográfico no Brasil, agravada pela pirataria. E no exterior em regiões como os Estados Unidos e Europa existe pobreza mas, não tanto como no Brasil e o pessoal tem acesso maior à internet, conseguem baixar músicas. Vou dar um exemplo, “O Mundo Livre S/A” que é uma banda que trabalho, está completando em 2009, 25 anos de carreira e a gente vai fazer um disco novo agora, e quando ele for lançado vamos disponibilizar 70% ou 80% desse disco de graça na internet para os fãs baixarem, pois o que queremos é sair em turnê pelo Brasil e pelo exterior, as pessoas consigam cantar músicas e não ficar tentando vender discos no mercado, onde já não se vende discos. Eu costumo dizer e já falei isso na minha palestra que hoje o maior vendedor de discos é justamente o show ao vivo. Quem consegue tocar muito e emocionar a platéia e os fãs, ainda consegue vender discos, mas esse formado de discos no Brasil, ainda tem uma sobrevivência maior porque o Brasil é um país de terceiro mundo, mas não acredito que seja um formado ideal para um artista que está se lançando agora. É importante que ele faça o CD, mas que também disponibilize e se promova através da internet.

 Como está o mercado de música brasileiro hoje? 

 Eu fico muito triste, pois venho de um estado onde a música tradicional e contemporânea tem muito valor e é muito atuante. Talvez o melhor exemplo seja o DJ Dolores, que apesar do nome, ele é um DJ como outro qualquer, mas ele também tem a banda dele, que são seis pessoas no palco, e lançou um disco no início do ano passado, um disco que teve distribuição internacional, através de uma gravadora da Bélgica que é uma das principais gravadoras para a música brasileira lá fora. Existe um grupo de radialistas europeus, que todo mês manda uma informação, do que eles tocaram nos seus respectivos programas e respectivas rádios e sai uma lista dos vinte discos do mês. No final do ano fazem um apanhado dos 150 pop discos dessa lista. E o DJ Dolores foi o artista brasileiro mais bem classificado nessa lista em 2008. O DJ Dolores é sergipano mas mora no Recife há muitos anos e a música dele foi desenvolvida no Recife, ele não toca. Então para mim é uma grande contradição, é um exemplo de como é difícil  o mercado brasileiro, como é difícil de trabalhar com esse tipo de música, porque você tem um artista que é reconhecido na Europa, nos Estados Unidos, circula nesses mercados, mas na cidade onde ele vive, onde produz, vamos dizer assim “o público não tem o direito de escutá-lo”.

 Você vai criar um projeto cultural?

 É um embrião ainda, é um sonho que tenho. A minha família paterna vem do interior, de uma região chamada Pajéu no sertão pernambucano, de uma cidade chamada Tabira. E o meu Tio mais novo, cuidava da casa da família. Ele veio a falecer e em seguida uma tia minha, então, nesse momento a família está fazendo a partilha dos bens, e eu conversei com meus pais e meus tios que tinha o desejo de começar um projeto lá que trabalhasse com jovens, com crianças e principalmente com música. Então, espero no futuro próximo poder começar alguma coisa parecida com o que é a Fundação Casa Grande. Por isso que eu tinha tanta vontade de vir aqui conhecer esta experiência.Quando ouvi falar desta mostra Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa, achei que era o momento e a oportunidade certa e aqui estou eu, muito feliz da vida de estar participando deste evento aqui na Fundação Casa Grande.

  Qual o seu objetivo estando agora na mostra?

 O meu objetivo acima de tudo era conhecer e interagir com a Fundação. Achei tudo muito legal, não poderia ser melhor. Agora o meu objetivo é interagir cada vez mais com a Fundação. Sinto que a partir deste encontro com o pessoal de Moçambique, Portugal, Angola, vai nascer alguma coisa de concreto entre as pessoas que estão aqui participando e acho que é isso o melhor que vou levar daqui, justamente essa interação não só com as pessoas e os jovens e as crianças que fazem a Fundação Casa Grande, mas também com os artistas e gestores culturais que foram convidados para esta mostra, e todo mundo interagiu muito bem e a experiência foi à melhor possível.

Maio 15, 2009

Diversidade Cultural em Moçambique

Este foi o tema da segunda roda de conversa da Mostra Cariri das Artes  dos Países de Língua Portuguesa que ocorreu neste dia 13 de maio no Teatro Violeta Arraes – Engenho de Artes Cênicas, ministrada por Roberto Isaías, músico, ativista e consultor de políticas culturais da Rede Nacional para a Diversidade Cultural em Moçambique.
Roberto falou que as crianças e jovens de seu país ainda não têm uma instituição como a Fundação Casa Grande para acolhê-las e realizar projetos de formação cultural, expressando seu sonho de também um dia construir algo parecido em Moçambique.
O público presente realizou algumas perguntas sobre aspectos da educação, política e religião e o palestrante disse que o analfabetismo ainda é de 80% no país – de 20 milhões de habitantes, e que ainda estão em processo de democratização política, mas são poucas as políticas públicas voltadas à cultura africana. Sobre religião, Isaías disse que os católicos são maioria, mas a religião muçulmana é a que mais cresce.
Percebemos que Moçambique é um país que está lutando para crescer, melhorar suas estruturas e diminuir as desigualdades sociais. Para o músico, muito já está sendo feito mas ele aposta na diversidade cultural do país africano para realizar esses sonhos mais rapidamente. E falando em sonhos, Isaías completa que nós no Brasil estamos bem a frente do que os moçambicanos nesse processo.
Na conclusão da sua fala, foi apresentada a introdução de um vídeo sobre um artista moçambicano chamado Malangatana Nguenha que já deu pra se ter uma idéia do nível cultural daquele país.

Maio 14, 2009

A mostra é aberta oficialmente

 

A abertura oficial da mostra Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa, aconteceu às 14h do dia 12 de maio no Teatro Violeta Arraes - Engenho de Artes Cênicas pelo presidente da Fundação Casa Grande, Alemberg Quindins. Estiveram presentes o prefeito de Nova Olinda, Afonso Sampaio, Gustavo  Ferreira do Sebrae-CE e  Henilton Menezes, Gerente de Gestão de Cultura do Banco do Nordeste, representando a instuição que patrocina o evento.

O prefeito abriu as portas da cidade para receber os visitantes, e em seguida Alemberg Quindins deu início oficialmente à mostra falando da importância do intercâmbio entre os países de língua portuguesa e de se trabalhar em parceria. Dando sequência Gustavo Ferreira, também expressou a alegria de ser parceiro nesse projeto.
Dando inicio às rodas de conversa, Henilton Menezes fez uma apresentação sobre o projeto de circulação de espetáculos, que o banco vem desenvolvendo por meio da criação dos três centros culturais: Cariri, Sousa e Fortaleza, que trabalham com 42 programas, entre eles Artes visuais, Criança e Arte, Biblioteca Virtual, 100 Canal e Arte Retirante. Ele ressaltou a importância da Fundação Casa Grande na promoção de eventos culturais como esse.
Dando continuidade, a linguista da UFRJ, Ruth Monserrat, iniciou sua roda de conversa que teve como tema: “As inúmeras línguas indígenas faladas no Brasil e suas relações com o português” apresentando a língua tupi como a mais falada na costa do Brasil colonial e sobre as influências no que é hoje a língua portuguesa. Ela presenteou a Fundação com livros e revistas sobre essa temática para pesquisa, como também histórias infantis para as crianças.

Maio 6, 2009

Casa Grande recebe oficina de música e dança do Senegal

logoChega hoje à Casa Grande um grupo de músicos e dançarinos do Senegal, país da África Ocidental.
A visita faz parte do Projeto Raízes, proposto pelo músico Jefferson Gonçalves para o Itamaraty e viabilizado pelo Sebrae/CE. Inclui oficinas de dança e música, além de um show no sábado, dia nove.

O grupo Les Frères Guissé, formado pelos irmãos Cheikh (composição, canto e guitarra), Djiby (composição, canto e guitarra) e Aliou (percussão e canto) virá acompanhado do bailarino Tchebe Bertrand Saky e da Embaixadora do Brasil no Senegal, Kátia Gilaberte. Jefferson Gonçalves deverá se juntar ao grupo ainda nesta semana.

O objetivo do projeto é um maior intercâmbio do Brasil com os países africanos, neste caso, uma ex-colônia francesa, cuja capital é Dakar.

Maio 5, 2009

André Magalhães na Fundação Casa Grande

 
Durante o mês de abril esteve na Fundação Casa Grande convivendo e ensinando o produtor musical e sonoplasta André Magalhães. Ele faz parte do grupo “A Barca” que já se apresentou no Teatro Violeta Arraes em 2005 e 2006. Desta vez, foi através do edital Prêmio Interação-estética, lançado pela FUNARTE que o trouxe de volta para realizar o projeto “Uma banda de produção do Cariri”, que acontecerá entre os meses de junho e agosto, do qual pretende englobar os laboratórios, TV, Editora, Música, etc. Este trabalho resultará em um DVD de cultura popular mostrando a região do Cariri e sua diversidade sonora e contará com a participação de todas as crianças e jovens da Casa Grande. Neste período que aqui esteve, André ministrou oficinas de estúdio (gravação e mixagem), vídeo, som direto, percussão, som em teatro e ritmos brasileiros com Abanda – grupo instrumental da Fundação.

Veja a seguir o teor da entrevista com André Magalhães:

 

Nome e profissão?
André Magalhães, sonoplasta e produtor musical.

Qual o motivo de sua vinda à Fundação?

Eu vim fazer uma residência, através de um edital, porque aqui tem vários objetos de interesse meu como o teatro, o estúdio, o grupo de musica, a TV. Tudo isso me deu a idéia de fazer um trabalho com a Casa Grande de intervenção em todas as suas áreas, utilizando os vários laboratórios, onde posso trabalhar com o vídeo, música, história,  aprendizagem, desenho, fotografia, enfim, com todos as áreas e misturar isso num só objeto que seria um DVD. Chegamos a uma conclusão depois de um tempo de conversa, de trabalhar com a música, a cultura popular, ensinar vários ritmos, realizar vários trabalhos, tanto com Abanda, como com Os Cabinha e com o geral, isso na parte de musica. Por eu ser produtor musical e trabalhar em estúdio e também fazendo pa em show, então a gente trabalhou a questão do estúdio, das ferramentas como: equalizador, compressor, mixagem, gravação, enfim todos esses fundamentos de gravação. No teatro, acertamos várias questões como alinhamento do sistema de pa, trabalhos na mesa de som, nos equipamentos e fundamentar mais essas questões de uso do equipamento para um show. Realizamos um show como primeiro exercício desse trabalho, que teve como convidado o Di Freitas e Chavier do Forró, integrando a Casa às manifestações do Cariri que foi muito bacana, porque já houve essa integração de todo mundo participando. Isso foi uma previa do que vai acontecer  na produção do DVD.

O que é o projeto?

O projeto é um DVD que denominado “Uma banda de produção do Cariri”. O que é essa banda? É justamente toda essa gente, um bando de pessoas que vai executar esse DVD, criar um tarefa de lidar com a música e a cultura popular, fazendo com que isso seja uma referência musical para as pessoas daqui. Então, o DVD vai abranger isso, vai ser feito um trabalho com Abanda e também com o envolvimento de todas as áreas da Casa, trabalhando a questão do desenho, da animação, fotografias de rostos e mãos das pessoas e vamos trabalhar essa questão da arqueologia também. A história vai começar na arqueologia contando um pouquinho a história do homem Kariri. Uma peça vai ser encontrada por um mestre da cultura popular, ainda não sabemos se vai ser um mestre de reisado, porque a história ainda está sendo criada e a responsabilidade disso está com Valêsca, Naninha, Kuta, Jenfte, com os jovens que vão trabalhar aqui pensando nessa sequência e a idéia é mistura ficção com realidade. No meu retorno para cá a gente vai fazer uma grande oficina de reisado, maneiro-pau, cabaçal e outras coisa para a gente entrar realmente nisso definitivamente e descobrir o que vai ser esse DVD, pois não vai ser documentário, pode até haver um mike off, mas a idéia é que seja um DVD criativo, e não um DVD documentado, falando sobre a Casa.

O que você espera desse projeto?

Eu espero poder levar esse projeto, como todos os projetos que eu faço, para o mundo. De poder ter esse material para realmente levar para o mundo e mostrar aonde eu estiver para as pessoas. Tenho uma vontade muito grande de divulgar esse trabalho, a Casa Grande, divulgar isso para as pessoas que já tenho feito isso pelo meu blog. Estou enviando para muita gente descobrir isso daqui e também com o objetivo de ativar um pouco a criação, porque eu sinto que a maior dificuldade das pessoas, talvez em função de todo mundo ter muitas coisa para fazer, acaba sobrando muito pouco tempo para a criação, seja ela de qualquer tipo. Acho que funciona maravilhosamente bem essa coisa da execução dos projetos dentro da Casa. A poesia, a poética na Casa, sonhar um pouquinho, criar um pouquinho sobre os trabalho, sobre essa história, sobre esse DVD. O objetivo com esse DVD é que possa ser apresentado em qualquer lugar do mundo sem deixar nada a desejar e temos condições para isso, vai depender um pouco das pessoas da Casa conseguir ativar isso, pois ainda temos mais dois meses de trabalho e eu espero que isso aconteça.

O que levou você a escolher a Casa Grande?

Quando passei aqui pela primeira vez em 2005 e depois em 2006 foram passagens muito rápidas, mas foram duas passagens muito importantes, pois foi onde conhecemos o espírito que a Casa tem, de entra em contato com o site, depois de entrar em contato com Helinho e Samuel para resolver os problemas e as dúvidas na área de estúdio e por coincidência eu fui mixar um trabalho que foi feito aqui, da Francesca, que Cacá Carvalho realizou aqui e no momento que peguei esse trabalho para fazer me motivou de vim pra cá, desde o momento que passei aqui, mas também durante esse trabalho que fiz junto com Cacá em São Paulo, de mixagem do cd  gravado aqui. Eu tenho muito contanto com o reisado de Juazeiro do Norte e me deu muita vontade de estabelecer-me aqui na região e conhece-la e também o funcionamento da Casa Grande. Então, surgiu essa possibilidade do edital e eu acabei escolhendo aqui porque houveram também alguns encontros com Alemberg, em aeroportos, em São Paulo e ele sempre deixou muito aberto isso.

O que mais lhe chamou atenção na Casa?

O funcionamento da Casa, como a casa funciona em harmonia, porque aqui é um lugar de trabalho. Percebe-se que Alemberg fala muito em curso de gestão cultural que realmente é, onde o menino aprende a fazer tudo desde massa de cimento a designer, e como funciona com harmonia e as pessoas fazendo as coisa, que às vezes em muitas empresas em São Paulo com idades muito superiores não consegue trabalhar com essa harmonia e esse conceito. A energia da Casa Grande é muito boa e essa brincadeira que tem com tudo, isso é uma coisa muito especial. Quem é daqui está acostumado um pouco com isso e não percebe o valor,  porque isso é uma coisa rara de acontecer. Cada um com suas funções fazendo suas coisas. Isso que me impressiona bastante e a energia de tudo isso levar para frente, de tudo ir para frente, de tudo ser melhorado.

Como está sendo o convívio com as crianças e jovens na Casa Grande?

Está sendo muito legal, principalmente no início, pois logo quando cheguei a gente conseguiu trabalhar bastante coisa, as oficinas, as exibições dos vídeos, que foram os exercícios que fizemos com cada um, um momento de conhecimento, de conhecer como cada um trabalha, como funciona, enfim, foi muito legal. Os primeiro 15 dias foram muito interessantes porque a gente consegui trabalhar bastante coisa, já na segunda parte eu consegui fazer pouca coisa em função da reforma da Casa e foi muito difícil porque eu só tinha o final do dia de 5h ou 6h até às 9h da noite. Para mim foi muito pouco, mas isso é uma questão de funcionamento da Casa porque outras coisa também têm prioridade. Nesse último momento eu me senti sub aproveitado porque eu tinha muita coisa para ensinar para as pessoas e acabei trabalhando mais essa parte de estúdio com Helinho e Aécio, mas mesmo assim, foi muito bacana porque me deu um norteamento para executar o projeto do DVD. Eu já estou indo embora mas vou saindo com a idéia pronta do que eu vou fazer e deixarei responsabilidades para quando eu voltar a gente começar a produção do trabalho.

Qual sua mensagem?

Que continuem a ser feliz. Continuem valorizando aqui, cuidando desse lugar, trabalhando. A mensagem que deixo é que continuem fazendo as coisas e nunca esqueçam a poesia, a poética, o que faz a gente sonhar e o que faz a gente criar. A gente deve criar coisas boas, está buscando a criação, sonhar com a poesia. Quando a gente faz as coisas com poesia desde fazer um desenho, pintar a parede, se a gente faz com essa energia tudo vai melhorar. Criem.

Abril 29, 2009

Rodas de conversa farão a aproximação entre músicos e instituições culturais

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Mostra de Artes em Língua Portuguesa será ambiente privilegiado para que público e convidados possam conhecer melhor o trabalho de instituições culturais lusófonas

Entre os dias 12 e 16 de maio a Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa apresentará ao público um pouco da boa música produzida em nosso idioma, porém pouco conhecida no Brasil.
Como parte deste processo de conhecimento do artista pelo mercado precisa da colaboração de um setor específico da cultura, representado por gestores e produtores culturais, a mostra fará essa aproximação, ao mesmo tempo que apresentará um panorama da produção para os presentes.

Alguns dos mais respeitados gerentes de centros culturais brasileiros, criadores de mostras e festivais reconhecidos internacionalmente complementarão a programação musical com palestras informais, denominadas Rodas de Conversa.
Entre as instituições culturais convidadas, o Banco do Nordeste, o Sesc Ceará e o Festival Abril Pro Rock representam o nordeste, enquanto Itaú Cultural e Casa de Cultura da Universidade de Londrina, no Paraná, trazem uma visão do sul e sudeste.
E, como não poderia deixar de ser, mais duas instituições internacionais: ONG Etnia, de Portugal, e Rede para a Diversidade Cultural de Moçambique.

Para desvendar um pouco da relação entre a nossa língua e a indígena, a linguista Ruth Monserrat, ex-professora da UFRJ apresentará a palestra “As inúmeras línguas indígenas faladas no Brasil e suas relações com o português”.

Nordeste

A realidade da produção cultural nordestina será tema para três conversas distintas. A primeira, com Henilton Menezes,Gerente de Gestão da Cultura do banco do Nordeste , abrirá as rodas no dia 12, com o tema “A ação do BNB na Cultura Nordestina”.
No dia 14, uma mesa dupla: Dane de Jade, do Sesc Ceará, falará da Mostra Sesc Cariri de Cultura, que em 2009 terá sua décima primeira edição, enquanto o produtor Paulo André Pires, criador e produtor do festival pernambucano Abril Pro Rock apresentará a realidade do mercado independente brasileiro e internacional.

Sul e Sudeste

Com uma atuação importante em todo o país, especialmente por meio dos editais do projeto Rumos, o Instituto Itaú Cultural tem sede em São Paulo, de onde virá Edson Natale, gerente do núcleo de música da instituição. Sua fala será sobre produção cultural, na tarde do dia 15.
Já a musicóloga, radiomaker e artista sonora Janete El Haouli terá como tema de sua fala, no dia 13, “As constelações da Cultura”, na qual trará informações sobre a Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina, no Paraná, da qual é diretora.

Portugal e Moçambique

Para representar dois dos países lusófonos presentes ao evento, Mário Alves, a ONG Etnia de Portugal e Roberto Isaías, da Rede Nacional para a Diversidade Cultural de Moçambique abordarão um pouco do trabalho das instituições que gerem.
Alves é responsável pelo festival Na Ponta da Língua, que reúne nomes da cultura lusófona e já teve edição em Fortaleza.
Já o músico, ativista e consultor de políticas culturais, Roberto Isaías, apresentará a palestra “Diversidade Cultural em Moçambique (visão histórica)”.

As rodas de conversa acontecerão em todos os dias da mostra, às 15h, no varandão.

Abril 23, 2009

Casa Grande é modelo para nova política de educação patrimonial do Iphan

Por Mariana Albanese

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Para a Memória: equipe do Iphan na Casa Grande (Crédito: João Paulo Marôpo)

Com o objetivo de relatar experiências bem sucedidas em educação patrimonial o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Iphan, selecionou três projetos que envolveram as comunidades em seu entorno, causando um impacto onde se instalaram.
Dos três projetos escolhidos, apenas o da a Fundação Casa Grande, de Nova Olinda, no Ceará, não é coordenado pelo Instituto.
Até o final do ano a Casa Grande e as duas outras iniciativas (um projeto realizado no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e outro no bairro Desterro em São Luis, no Maranhão) serão pesquisados.

Tal pesquisa dará subsídios para a implantação de Casas do Patrimônio, que pretendem ser um elo de ligação entre a população e o patrimônio material e imaterial que a ela pertence. Até o final do ano serão seis unidades, começando pelas cidades de Ouro Preto, em Minas Gerais, e Iguape, em São Paulo.

Metodologia

Para dar início ao processo de aproximação para tal empreitada, as iniciativas selecionadas receberam a visita de uma equipe do Iphan e um técnico local foi designado para colher dados que contem o histórico do projeto, suas dificuldades e conquistas, e principalmente, sua importância e impacto na comunidade.
Para acompanhar a Casa Grande, foi designada a pesquisadora Isabelle de Luna Alencar Noronha, que defendeu sua tese de doutorado sobre a Fundação.

A vista à Nova Olinda foi realizada entre 16 e 19 de abril pela equipe formada por João Tadeu Gonçalves, Pedro Clerot e Sônia Florêncio, da Gerência de Projetos e Educação Patrimonial do Iphan, e Lúcia Augusta, da Associação Positiva de Brasília. Durante quatro dias eles se reuniram com alunos, pais da Cooperativa e a diretoria da Casa Grande para conhecerem um pouco mais sobre o funcionamento da instituição, principalmente no que se refere à Memória.

Repercussão

“O Memorial do Homem Kariri é o que a gente entende como modelo para as Casas do Patrimônio, por ser um museu vivo, que interage com a população”, explicou Pedro Clerot, do Iphan.

A notícia desta parceria de grande importância recebeu congratulações do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto, conveniado à Casa Grande por meio da Universidade de Coimbra, onde a Diretora Científica da Fundação, Rosiane Limaverde, faz seu doutorado.

O resultado final desta aproximação entre a Casa Grande e o Iphan, coordenada pela Gerência de Projetos e Educação Patrimonial, Geduc, em parceria com a Associação Positiva de Brasília será divulgado em 2010, em meios a ainda a definir.

Abril 22, 2009

Cariri, ser tão cultura

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Já está disponível no site do Sesc São Paulo a programação da mostra Cariri, ser tão cultura, que será realizada entre 21 de maio e 6 de junho, na unidade Ipiranga.

A mostra será baseada no trabalho da Fundação Casa Grande, e terá como atrações shows de Abanda (com Arismar do Espírito Santo e Heraldo do Monte em 22/05) e Os Cabinha (com participação de Marcelo Camelo no dia 23/05 e Ceumar em 29/05).  A programação ainda engloba exposição de fotos, mostra de vídeos e oficinas de confecção de bandinha de lata e rádio (com Os Cabinha) e gibi (com Valêsca Moura), além de palestras com o Presidente e Diretora Científica da Casa Grande, Alemberg Quindins e Rosiane Limaverde.

Para detalhes sobre a programação, clique aqui.

Abril 20, 2009

Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa

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Fundação Casa Grande será palco para a Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa, que terá recitais de músicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, além de rodas de conversa com gestores de instituições culturais brasileiras, africanas e européias, mostra de vídeo e exposição de folhetos de cordel.

Oficialmente, estamos em três continentes, em oito países. Somos lusófonos. Esta palavrinha, ainda estranha para muitos, quer dizer uma coisa bem simples: falamos português. Cada um, porém, à sua maneira. Assim, interessa a todos saber o que nos une e o que nos diferencia.
Em busca de algumas destas respostas, músicos e gestores culturais representantes de cinco destes países estarão no interior do Ceará entre 12 e 16 de maio para a mostra Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa.
O evento será realizado no Teatro Violeta Arraes- Engenho de Artes cênicas, localizado na Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, em Nova Olinda. Serão cinco dias com recitais musicais, palestras, exposição de cordéis e mostra de vídeo da TV Casa Grande.

Convidados

Em sua primeira edição, a mostra será voltada principalmente ao intercâmbio musical. Cantores e compositores apresentarão para o público um pouco da cultura de seu lugar. Ao mesmo tempo, farão uma imersão na região, em visitas às casas de mestres como Seu Raimundo Aniceto, da Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto.
De Angola, virá Filipe Mukenga, que recentemente gravou o disco “Nós somos nós” com Zeca Baleiro. De Moçambique, Stewart Sukuma. Cabo Verde será representado pelo jovem Vadú. Portugal nos presenteia com o som luso-brasileiro de JP Simões.
Brasileiros? Temos dos bons: Elizah e Paulo Brandão deixam o litoral carioca para uma sonora apresentação no sertão. Abanda e Os Cabinha (jazz e rock na lata) são pratas da casa: criados entre as centenárias paredes da Fundação, representam a força da música cearense.

Rodas de conversa

Na cadeia produtiva das artes, músicos dependem de gestores de centros culturais para desenvolverem seu trabalho. Para proporcionar essa aproximação, foram convidados representantes das principais instituições para esta aproximação. São eles: Edson Natale (Itaú Cultural), Dane de Jade (Sesc Ceará), Heniton Menezes (Banco do Nordeste), Mário Alves (ONG Etnia – Portugal) e Roberto Isaías (Rede Nacional para a Diversidade – Moçambique) e Janete El Haouli, (Casa de Cultura da Universidade de Londrina).
Para começar, logo na abertura a linguista Ruth Monserrat apresentará uma palestra sobre as aproximações entre o português e as línguas indígenas.

Mostra de vídeos e cordel

A produção da TV Casa Grande será apresentada ao público por meio de uma mostra, que selecionou cinco curtas-metragens sobre a região.
Durante todo o período, o público também terá acesso a uma exposição com cerca de mil títulos de folheto de cordel, que representa de forma interessante o objetivo da mostra: afinal, nasceu em Portugal e encontrou sua casa no nordeste brasileiro. Um intercâmbio que deu certo – e já faz tempo.

A Cariri das Artes dos Países de Língua Portuguesa é uma iniciativa da Fundação Casa Grande, e foi viabilizada pelo edital BNB de Cultura 2009.

PROGRAMAÇÃO