
Durante o mês de abril esteve na Fundação Casa Grande convivendo e ensinando o produtor musical e sonoplasta André Magalhães. Ele faz parte do grupo “A Barca” que já se apresentou no Teatro Violeta Arraes em 2005 e 2006. Desta vez, foi através do edital Prêmio Interação-estética, lançado pela FUNARTE que o trouxe de volta para realizar o projeto “Uma banda de produção do Cariri”, que acontecerá entre os meses de junho e agosto, do qual pretende englobar os laboratórios, TV, Editora, Música, etc. Este trabalho resultará em um DVD de cultura popular mostrando a região do Cariri e sua diversidade sonora e contará com a participação de todas as crianças e jovens da Casa Grande. Neste período que aqui esteve, André ministrou oficinas de estúdio (gravação e mixagem), vídeo, som direto, percussão, som em teatro e ritmos brasileiros com Abanda – grupo instrumental da Fundação.
Veja a seguir o teor da entrevista com André Magalhães:
Nome e profissão?
André Magalhães, sonoplasta e produtor musical.
Qual o motivo de sua vinda à Fundação?
Eu vim fazer uma residência, através de um edital, porque aqui tem vários objetos de interesse meu como o teatro, o estúdio, o grupo de musica, a TV. Tudo isso me deu a idéia de fazer um trabalho com a Casa Grande de intervenção em todas as suas áreas, utilizando os vários laboratórios, onde posso trabalhar com o vídeo, música, história, aprendizagem, desenho, fotografia, enfim, com todos as áreas e misturar isso num só objeto que seria um DVD. Chegamos a uma conclusão depois de um tempo de conversa, de trabalhar com a música, a cultura popular, ensinar vários ritmos, realizar vários trabalhos, tanto com Abanda, como com Os Cabinha e com o geral, isso na parte de musica. Por eu ser produtor musical e trabalhar em estúdio e também fazendo pa em show, então a gente trabalhou a questão do estúdio, das ferramentas como: equalizador, compressor, mixagem, gravação, enfim todos esses fundamentos de gravação. No teatro, acertamos várias questões como alinhamento do sistema de pa, trabalhos na mesa de som, nos equipamentos e fundamentar mais essas questões de uso do equipamento para um show. Realizamos um show como primeiro exercício desse trabalho, que teve como convidado o Di Freitas e Chavier do Forró, integrando a Casa às manifestações do Cariri que foi muito bacana, porque já houve essa integração de todo mundo participando. Isso foi uma previa do que vai acontecer na produção do DVD.
O que é o projeto?
O projeto é um DVD que denominado “Uma banda de produção do Cariri”. O que é essa banda? É justamente toda essa gente, um bando de pessoas que vai executar esse DVD, criar um tarefa de lidar com a música e a cultura popular, fazendo com que isso seja uma referência musical para as pessoas daqui. Então, o DVD vai abranger isso, vai ser feito um trabalho com Abanda e também com o envolvimento de todas as áreas da Casa, trabalhando a questão do desenho, da animação, fotografias de rostos e mãos das pessoas e vamos trabalhar essa questão da arqueologia também. A história vai começar na arqueologia contando um pouquinho a história do homem Kariri. Uma peça vai ser encontrada por um mestre da cultura popular, ainda não sabemos se vai ser um mestre de reisado, porque a história ainda está sendo criada e a responsabilidade disso está com Valêsca, Naninha, Kuta, Jenfte, com os jovens que vão trabalhar aqui pensando nessa sequência e a idéia é mistura ficção com realidade. No meu retorno para cá a gente vai fazer uma grande oficina de reisado, maneiro-pau, cabaçal e outras coisa para a gente entrar realmente nisso definitivamente e descobrir o que vai ser esse DVD, pois não vai ser documentário, pode até haver um mike off, mas a idéia é que seja um DVD criativo, e não um DVD documentado, falando sobre a Casa.
O que você espera desse projeto?
Eu espero poder levar esse projeto, como todos os projetos que eu faço, para o mundo. De poder ter esse material para realmente levar para o mundo e mostrar aonde eu estiver para as pessoas. Tenho uma vontade muito grande de divulgar esse trabalho, a Casa Grande, divulgar isso para as pessoas que já tenho feito isso pelo meu blog. Estou enviando para muita gente descobrir isso daqui e também com o objetivo de ativar um pouco a criação, porque eu sinto que a maior dificuldade das pessoas, talvez em função de todo mundo ter muitas coisa para fazer, acaba sobrando muito pouco tempo para a criação, seja ela de qualquer tipo. Acho que funciona maravilhosamente bem essa coisa da execução dos projetos dentro da Casa. A poesia, a poética na Casa, sonhar um pouquinho, criar um pouquinho sobre os trabalho, sobre essa história, sobre esse DVD. O objetivo com esse DVD é que possa ser apresentado em qualquer lugar do mundo sem deixar nada a desejar e temos condições para isso, vai depender um pouco das pessoas da Casa conseguir ativar isso, pois ainda temos mais dois meses de trabalho e eu espero que isso aconteça.
O que levou você a escolher a Casa Grande?
Quando passei aqui pela primeira vez em 2005 e depois em 2006 foram passagens muito rápidas, mas foram duas passagens muito importantes, pois foi onde conhecemos o espírito que a Casa tem, de entra em contato com o site, depois de entrar em contato com Helinho e Samuel para resolver os problemas e as dúvidas na área de estúdio e por coincidência eu fui mixar um trabalho que foi feito aqui, da Francesca, que Cacá Carvalho realizou aqui e no momento que peguei esse trabalho para fazer me motivou de vim pra cá, desde o momento que passei aqui, mas também durante esse trabalho que fiz junto com Cacá em São Paulo, de mixagem do cd gravado aqui. Eu tenho muito contanto com o reisado de Juazeiro do Norte e me deu muita vontade de estabelecer-me aqui na região e conhece-la e também o funcionamento da Casa Grande. Então, surgiu essa possibilidade do edital e eu acabei escolhendo aqui porque houveram também alguns encontros com Alemberg, em aeroportos, em São Paulo e ele sempre deixou muito aberto isso.
O que mais lhe chamou atenção na Casa?
O funcionamento da Casa, como a casa funciona em harmonia, porque aqui é um lugar de trabalho. Percebe-se que Alemberg fala muito em curso de gestão cultural que realmente é, onde o menino aprende a fazer tudo desde massa de cimento a designer, e como funciona com harmonia e as pessoas fazendo as coisa, que às vezes em muitas empresas em São Paulo com idades muito superiores não consegue trabalhar com essa harmonia e esse conceito. A energia da Casa Grande é muito boa e essa brincadeira que tem com tudo, isso é uma coisa muito especial. Quem é daqui está acostumado um pouco com isso e não percebe o valor, porque isso é uma coisa rara de acontecer. Cada um com suas funções fazendo suas coisas. Isso que me impressiona bastante e a energia de tudo isso levar para frente, de tudo ir para frente, de tudo ser melhorado.
Como está sendo o convívio com as crianças e jovens na Casa Grande?
Está sendo muito legal, principalmente no início, pois logo quando cheguei a gente conseguiu trabalhar bastante coisa, as oficinas, as exibições dos vídeos, que foram os exercícios que fizemos com cada um, um momento de conhecimento, de conhecer como cada um trabalha, como funciona, enfim, foi muito legal. Os primeiro 15 dias foram muito interessantes porque a gente consegui trabalhar bastante coisa, já na segunda parte eu consegui fazer pouca coisa em função da reforma da Casa e foi muito difícil porque eu só tinha o final do dia de 5h ou 6h até às 9h da noite. Para mim foi muito pouco, mas isso é uma questão de funcionamento da Casa porque outras coisa também têm prioridade. Nesse último momento eu me senti sub aproveitado porque eu tinha muita coisa para ensinar para as pessoas e acabei trabalhando mais essa parte de estúdio com Helinho e Aécio, mas mesmo assim, foi muito bacana porque me deu um norteamento para executar o projeto do DVD. Eu já estou indo embora mas vou saindo com a idéia pronta do que eu vou fazer e deixarei responsabilidades para quando eu voltar a gente começar a produção do trabalho.
Qual sua mensagem?
Que continuem a ser feliz. Continuem valorizando aqui, cuidando desse lugar, trabalhando. A mensagem que deixo é que continuem fazendo as coisas e nunca esqueçam a poesia, a poética, o que faz a gente sonhar e o que faz a gente criar. A gente deve criar coisas boas, está buscando a criação, sonhar com a poesia. Quando a gente faz as coisas com poesia desde fazer um desenho, pintar a parede, se a gente faz com essa energia tudo vai melhorar. Criem.